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[COBERTURA] Hard 'n' Heavy Party - A melhor despedida que o "velho Manifesto" poderia ter


    Dia 22 de março foi um dia marcado por encontros importantes: não apenas a despedida do "velho Manifesto", localizado na Rua Iguatemi, nº 36, na cidade de São Paulo, mas também a turnê de despedida do cantor Ted Poley, antigo vocalista da formação clássica do Danger Danger, além da primeira apresentação da banda Midnite City no Brasil em oito anos de carreira, é a segunda apresentação da cantora Chez Kane no país, revelação no mundo do hard rock, natural do Gales.

    O local estava cheio, mas com um público ainda tímido e contido no meio da pista quando Midnite City entrou ao palco, as 21h09, exatamente. Apesar de estar programado para fechar a noite, a banda de abertura teve um set bem extenso. Posso dizer que soam melhor ao vivo do que em seus discos gravados - o que é uma boa sugestão para lançamento. O grupo que conta com Rob Wylde (conhecido por seu trabalho na banda Tigertailz), Miles Meakin (guitarrista), Josh "Tabbie" Williams (baixo), Ryan Briggs (bateria) e Shawn Charvette (teclados) me surpreendeu bastante.

    Primeiro que o som do lugar estava ótimo, onde consegui ouvir todas as notas de todos os instrumentos. Apesar do vocal parecer faltar com um pouco de força, temos que dar uma pequena colher de chá para Wylde, que conta com seus quarenta e sete anos, além do mais, com uma performance e visual mais voltado ao "sleaze", os amantes do gênero não se decepcionam, pois é isso que esperam. Tirando isso, uma surpresa boa foram as músicas - gostosinhas de ouvir, energéticas, junto ao carisma da banda num todo. O público estava mais familiarizado com a banda do que eu, e cantava mais alto que o P.A dos caras (nas palavras de Josh durante uma breve conversa que tivemos), emendando até o coro "Olê, olê, olê". As canções, como citado anteriormente, ajudam bastante a trazer a venue como participação crucial do show, por contar com backing vocals contagiantes e bem chicletes. Outra parte boa que gostaria de destacar foi a percussão: pedal duplo no hard rock tem seu valor a ser mencionado. Por ter influências voltadas ao prog, Briggs consegue trazer um ótimo encaixe no som da banda.

    Agora, devo dizer que não sou muito fã de vocal feminino, mas Chez Kane possui um alcance vocal extraordinário. Com um tom alto parecendo até cantora da Disney, a britânica começou o show as 22h15, aproximadamente. Muitos fãs estavam presentes no local para sua segunda performance, conquistados anteriormente por um set similar, além de sua presença de palco. Suas composições não são muito atraentes para mim, tendo em conta que são apenas escritas de Danny Rexon onde ele sonha que está nos anos 80, me recordando um pouco Saraya e Femme Fatale. Só devo ressaltar que a sexualização é algo que não gosto, mas é uma das coisas que Chez usa em seu favor. É uma artista boa, só que assim como Midnite City, não muito ideal para ouvir por horas a fio todos os dias.

    Fechando a noite, entrando a 00h25, Ted Poley desce as escadas do palco do Manifesto com um sorriso e euforia sem igual. Incrível como sua personalidade se parece com a de Eric Martin, tirando a voz cujo, principalmente no começo, parecia faltar. O lugar estava quente, e assim como os fãs, não demorou para o vocalista estar quase derretendo diante aos olhos. Fãs esses que, se já soltaram a voz com os demais artistas, quase carregaram Poley durante as performances.


    Com problemas de saúde recorrentes, o antigo vocalista do Danger Danger está se aposentando das turnês internacionais, mas se demonstrou empolgado para voltar ao Brasil, basta apenas o convite! O show não variou muito do que se esperava, tirando a parte do set com "Feels Like Love", onde todos cantaram em uníssono. É contagiante a alegria do artista que desceu a plateia durante "Don't Walk Away", a pedidos de que não puxassem seu cabelo ("isso dói pra caramba e eu preciso dele!") e uma multidão fervorosa e as vezes irritante, assim como as garotas do bar tendo que andar por entre o público para fazer os pedidos. Se eu quisesse tomar algo, eu vou no caixa comprar! 

    Para falar de momentos desnecessários, o saxofone usado duas vezes na noite me irritou um pouco, principalmente por não precisar de um saxofone numa música do Danger Danger! Além disso, uma reclamação não apenas minha foram para os covers feitos pelo cantor, sendo que ele possui repertório suficiente para carregar um set - o qual poderia ser maior - sozinho. Deve ser proibido tocar "Born to Be Wild"! 

    Ademais, a banda de apoio se saiu ótimo em ambas as performances com Chez Kane e Ted Poley, como sempre! Já conhecidos nossos, Bento, Gabriel, Flavio e Bruno nunca desapontam! É sempre uma certeza de que o show será bom quando encontro com os garotos pela venue

    Obrigada pela DNA Rock Events, canal Alma Hard e Animal Records por fazerem esse evento acontecer e por me permitir apreciar o melhor do hard rock, como de costume! Espero que a festa continue trazendo outros artistas do gênero, e trazer aqui para Curitiba também.

    SETLISTS:

MIDNITE CITY: 

Outbreak
Ready to Go
Atomic
Girls Gone Wild
Someday
Hardest Heart to Break
Summer of Our Lives
Raise the Dead
Vampires
All Fall Down
Can't Wait for the Nights
Give Me Love
We Belong

 

CHEZ KANE: 
I Just Want Out
Too Late for Love
All of It
Nationwide
Better than Love
Love Gone Wild
Ball n’ Chain
Get It On
Rock You Up
Powerzone
Rocket on the Radio
Dream Warriors (Dokken)
No Easy Way Out (Robert Tepper)

 

TED POLEY: 
Horny S.O.B.
Youngblood
Monkey Business
Crazy Nites
Shot o’ Love
Feels Like Love 
Don’t Walk Away
Love
F.U.$. 
That’s What I’m Talking About
Bang Bang 
Beat the Bullet
I Still Think About You (com participação de Chez Kane)
Naughty Naughty (com participação de Chez Kane e Midnite City)
Don’t Blame It On Love
Born to Be Wild (cover, com Ted na guitarra e Jack Fahrer, do Nite Stinger, no vocal)

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