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ICON - NIGHT OF THE CRIME

    

ICON - Night of the Crime

Capa do Night of the Crime (1985)


    É de se dizer que conhecer Icon traz mudanças drásticas ao gosto de quem os ouve. Uma vez que você é introduzido ao Night of the Crime (1985), os padrões se tornam exigentes e, como consequência, começamos a buscar algo que ao menos se compare, mas nunca chegando perto.
Capa do EP do Schoolboys
    A banda, criada em 1979 sob o nome de Schoolboys, era composta por Stephen Clifford (vocais), Dan Wexler (guitarra), Tracy Wallach (baixo), John Covington (bateria) e Dave Henzerling (guitarra). A formação, assim como o nome da banda, mudaram antes do lançamento de Icon (1984), o auto-intitulado primeiro album, e trazia John Aquilino na guitarra e nos teclados, no lugar de Dave, e Pat Dixon na bateria, no lugar de Covington. Esses últimos nomes compõem a formação clássica, que trouxeram a sonoridade mais conhecida pelos discos Icon (1984) e o Night of the Crime (1985).
Foto promocional do disco Icon

    Lançado em 20 de setembro de 1985, havia tudo para se tornar um dos gigantes do gênero. A banda já contava com o rótulo de revelação por revistas locais da época, e não tardou para Dan Wexler levar o resto do conjunto para os estúdios da Capitol Records, receosa com o futuro do grupo já que o lucro obtido pelo primeiro disco da banda foi abaixo do esperadoProduzido por Eddie Kramer e mixado por Ron Nevison, é de se esperar que suas mentes brilhantes, agrupadas ao talento e visão incomum do grupo pela música, ajudaram a trazer o som grandioso presente no disco.
    O álbum não possui músicas feitas para passar em branco, sendo como um quebra-cabeça montado e envernizado. Tudo nele se encaixa, o que destoa da produção anterior da banda, por não se resumir apenas ao heavy metal. Ao crescer como a melhor e mais original produção dentro do AOR, a banda conduz o álbum da mesma forma que a estreia, porém de forma mais madura. Os solos, a poesia e até mesmo o comercial são agradáveis. 
    Tematicamente, o Night of the Crime consegue surpreender com suas escolhas de palavras, mesmo que gire em torno do tema "dor de cotovelo", um tópico batido dentro do rock melódico. Naked Eyes, Frozen Tears, Shot at my Heart, Missing, Raise the Hammer... São grandes sucessos esquecidos, que teriam trazido a imortalidade de outra banda se não fosse pelo ocorrido durante seu lançamento.
    Stephen Clifford anunciou a saída da banda após converte-se ao catolicismo, tendo encontrado sua
Contracapa do Night of the Crime
salvação do vício pela cocaína. Cansado daquela rotina estressante, ele deixa a banda, que se encontra perdida após uma peça importante de seu tabuleiro ser perdida de uma hora para outra. O álbum acaba por não ter nenhum videoclipe, assim como não teve uma turnê de apoio e divulgação, afinal, a gravadora já se encontrava receosa com a banda não via motivos para continuarem. A turnê européia, onde iriam abrir para o Whitesnake, fora cancelada, e a banda chutada pela gravadora. Os únicos shows feitos para promover o Night of the Crime foram por em bares locais nos Estados Unidos que a própria banda organizou, ditando assim sua queda.
    O fim do Icon faz com que todos os apreciadores do AOR e heavy metal ficassem órfãos, mesmo ambos sendo de opiniões muito divergentes, o que os une de certa forma. A tentativa da banda de tentar continuar, mesmo após as falhas durante a década de 80 – que por sinal, não foi culpa de ninguém –, é algo também digno de comentário, mas que causa a dor do luto no coração de qualquer um.


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