É trágico como Danger Danger é uma banda que marca o decair do hair metal na grande mídia. Até poderia ser comparado com outras bandas que choram pelo final dessa era, mas a verdade é que não chegam aos pés. Aqueles que conhecem a banda sabem o quanto eles possuíam grande potencial, sendo talvez uma das melhores por fazer um pouco mais do mesmo - só que diferente.
Primeiro, devemos colocar em evidência que “Screw It!”, seu segundo lançamento, é um disco fraco. Não em gênero, isso com certeza, mas pelo seu conteúdo. Mais uma produção apressada pela gravadora depois de uma longa turnê. Muitos irão discordar disso, mas é verdade. Particularmente, acho um disco completamente apelativo, mesmo que possua ótimas melodias, como acontece em “I Still Think About You”, “Don’t Blame It On Love” e “Beat the Bullet”. “Slipped Her the Big One” também vale a pena ser mencionada por sua produção, mesmo que ela antecipe 60% do resto do álbum, aquele típico: Olhe como eu sei transar.
Mesmo assim, a pegada da banda é outra. Talvez seja a melodia que Ted Poley carregue em sua voz, ou a afinação da guitarra de Andy Timmons, ou os teclados e as linhas de baixo que são notáveis. Alguma coisa ali só parece certo, sabe? Principalmente quando falamos do primeiro disco.
O autointitulado “Danger Danger”, de 1989, foi o responsável pelo estouro comercial da banda, com hinos como “Bang Bang”, “Naughty Naughty” (esses caras eram gagos?) e “Rock America”, com uma menção honrosa para "Under The Gun". Incrível como eles conseguiram produzir os queridos anthems sem precisar parecer apelões - Alô Autograph e Twisted Sister.
O curioso é a mistura dos gêneros no disco, trazendo um AOR muito mais pop, com tudo na medida certa. Todas elas são feitas para serem tocadas na rádio, sem exceção. É uma boa trilha sonora, com seus marcos merecidos, agradando até mesmo os mais rigorosos.Apesar disso, a banda não se manteve por muito tempo na mídia. O visual, apesar de ser perfeito para os amantes do gênero, não era mais o foco da época. O grunge se alastrou, o hair metal se tornou brega, e a banda que antes lotava estádios e abria para bandas como Kiss, agora estava de volta aos empregos de “pessoas normais”, como mencionado por Ted Poley.
Mesmo assim, eles estão em um lugar apaixonado e nostálgico em nossos corações. É como se algo dentro da melodia e escolha de notas nos fizesse acreditar que vivemos naquela época, que as coisas são mais fáceis, e que todo dia é feito para comemorar uma conquista. Não sei vocês, mas essa banda foi responsável por me acompanhar por grande parte da minha adolescência: altos e baixos, amores e desilusões, eles sempre estiveram juntos sendo a melhor trilha sonora, seja ela de amor, raiva, livramento ou apenas aproveitar um sábado a noite dançando no quarto.
Sem contar suas produções acústicas, que são quase tão boas quanto as originais. O álbum "Live and Nude" além de contar com músicas em versões acústicas, nos dá um gostinho de como a banda soava ao vivo. Vou deixar minha versão favorita aqui:
I Still Think About You - Live and Nude - Audio
Sinceramente, Danger Danger é a banda perfeita para iniciar estudos sobre como a música afeta as diferentes regiões do nosso cérebro. Não sou a melhor pessoa para falar do assunto, mas com certeza, a melodia composta pela banda provoca resultados diferentes.
A parte mais gostosa de escrever isso é saber que Ted Poley estará no Brasil, mais especificamente no bar Manifesto, no dia 22 de março, na Hard ‘n’ Heavy Party, produzida pela DNA Rock Events e Animal Records Brasil.
Essa festa terá apresentações, além da voz do Danger Danger, da vocalista Chez Kane e da banda Midnight City. Vale lembrar que Ted Poley está se aposentando, então pode ser sua última vez de vê-lo ao vivo!
Link para a compra dos ingressos: Hard n Heavy Party em São Paulo em São Paulo


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