Pular para o conteúdo principal

[COBERTURA] Onde as gerações de heavy metal se encontraram

    Uma pequena fila ao lado de fora do Tork 'N' Roll, decorada com camisetas de camelô da banda principal na calçada, esperava a abertura da casa que, por sinal, foi muito pontual. Os ânimos estavam à flor da pele, afinal, um show de heavy metal é para além da música: é sobre criar memórias e ouvir as músicas que tanto marcaram sua vida junto a outra multidão que compartilha do mesmo sentimento.

    Pequeno e acanhado, o público que estava na fila foi o mesmo que viu o Hellway Train começar às 19h40. É notório que os curitibanos não possuem o costume de chegar para ver a banda de abertura, quem dirá numa quarta-feira. Bem, azar o deles! Bebendo direto da fonte do Judas Priest, mas sem fazer uma falsa nostalgia fajuta, o estilo da banda mineira faz muita referência ao estilo anos oitenta do glam metal de performar. Com o show integrando a turnê do disco “Borderline e um pouco mais simples que os demais - por ter uma setlist reduzida - a banda conseguiu juntar um público de, aproximadamente, umas 80 pessoas até o final do set. As frases de resistência, saudosismo ao heavy metal e crítica ao evangelismo fanático, o Hellway Train personifica a atitude das últimas gerações de fãs do metal, seja ele extremo ou melódico.

    Na vez dos suecos do Ambush, muitos questionamentos passaram pela minha cabeça. Estava bem animada, porque da última vez que a banda veio a Curitiba, não consegui ficar para o show (meses antes de completar a maioridade, mamãe não deixou ficar até tarde pro rock!), então aguardei algo épico. Acho que a expectativa foi maior do que deveria, não é uma banda ruim, muito pelo contrário, porque os caras mostraram que conseguem sustentar um show até mesmo no escuro, onde um problema na iluminação fez com que a apresentação passasse mais da metade às cegas, mas tem algo no exagero de notas altas que me cansa muito. As dancinhas sincronizadas, cabelos sedosos, o show extremamente pontual, o visual que faz com que os integrantes pareçam ter o dobro da idade que tem, o vocal poderoso, parece ser a fórmula pronta para um heavy metal de sucesso que agrada a todos, mas... Às vezes, mostrar somente a técnica não é o que compõe uma performance. Acho que é algo de preferência mesmo, porque o dobro do público que havia na banda de abertura agitava e cantava junto às canções do Ambush. Vale a pena ouvir para tirar as próprias conclusões.

Setlist Ambush

Firestorm

Possessed by Evil

Evil in All Dimensions

Maskirovka

Desecrator

Hellbiter

Come Angel of Night

Bending the Steel

Natural Born Killers

Don't Shoot (Let 'em Burn)

    Entrando no palco dez minutos antes do previsto, o Grave Digger pode nunca ter sido uma banda que fazia parte dos bonitinhos do heavy metal, mas é inegável sua influência na cena atual, principalmente por conta de sua presença e carisma em todos os integrantes. Comemorando os 45 anos de carreira e divulgando seu último álbum, os veteranos fazem parecer simples e fácil a construção da sonoridade e visual de heavy metal. Os destaques ficam para “Kingdom of Skulls”, “The Keeper of the Holy Grail”, que teve sua estreia em Curitiba, “The Curse of Jacques”, “Excalibur” e “The Devils Serenade”, sem contar, claro, com “Rebellion (The Clans Are Marching)” e “Heavy Metal Breakdown”, em suma, metade da setlist - muito sólida por sinal. 


Setlist Grave Digger

Twilight of the Gods

The Grave Dancer

Kingdom of Skulls

Under My Flag

Valhalla

The Keeper of the Holy Grail

The Dark of the Sun

The Curse of Jacques

Shadows of a Moonless Night

The Round Table (Forever)

Excalibur

The Devils Serenade

Back to the Roots

Rebellion (The Clans Are Marching)

Scotland United

Circle of Witches

Witch Hunter

Heavy Metal Breakdown

   Sendo assim, ao falar do Grave Digger, é preciso mencionar o público inabalável e fiel de trezentas pessoas que se reuniu para cantar um verdadeiro power metal. Alguns chegaram mesmo após a chuva, mas isso não os impediu de balançar os punhos no ar ao serem regidos pelo vocalista Chris Boltendahl, que soa tão bem quanto nas faixas de estúdio, o que é um mérito para toda a banda, também. Além do mais, sinto a necessidade de falar sobre o trabalho realizado pela equipe de produções do Caveira Velha, mostrando que o underground não é bagunça e sempre traz ótimos nomes e eventos bem organizados. 



Apesar do cansaço, o heavy metal demonstrou sempre valer a pena.

Texto revisado por: Ingrid Schinermann.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

[OPINIÃO] I.A no rock é aceitável?

     Olá, meus caros leitores e leitoras por todo o Brasil! Faz algum tempo desde que postei algo aqui no blog, mas estava com dificuldade em achar um assunto que fosse devidamente relevante para a comunidade e após passar as últimas semanas antenada nas redes sociais, me veio a seguinte reflexão: I.A no rock é algo aceitável?      Precisamos colocar as cartas na mesa, afinal, a inteligência artificial se tornou uma ferramenta útil e que veio para ficar no nosso cotidiano. Não podemos ignorá-la, ainda mais em nossos trabalhos comuns. Dentro de um escritório, onde as demandas possuem um fluxo muito grande e requer mínimos detalhes, essa ferramenta se torna necessária para auxiliar a produtividade.       Agora, devemos lembrar que a I.A não cria nada. Ela usa um banco de dados, certo? Mas pessoas estão usando desse auxílio para se dar a impressão de que conseguem inventar algo sem esforço. Então, não venham querer tentar me convencer do co...

[COBERTURA] Hard 'n' Heavy Party - A melhor despedida que o "velho Manifesto" poderia ter

    Dia 22 de março foi um dia marcado por encontros importantes: não apenas a despedida do "velho Manifesto", localizado na Rua Iguatemi, nº 36, na cidade de São Paulo, mas também a turnê de despedida do cantor Ted Poley, antigo vocalista da formação clássica do Danger Danger , além da primeira apresentação da banda Midnite City no Brasil em oito anos de carreira, é a segunda apresentação da cantora Chez Kane no país, revelação no mundo do hard rock , natural do Gales.     O local estava cheio, mas com um público ainda tímido e contido no meio da pista quando Midnite City entrou ao palco, as 21h09, exatamente. Apesar de estar programado para fechar a noite, a banda de abertura teve um set bem extenso. Posso dizer que soam melhor ao vivo do que em seus discos gravados - o que é uma boa sugestão para lançamento. O grupo que conta com Rob Wylde (conhecido por seu trabalho na banda Tigertailz ), Miles Meakin (guitarrista), Josh "Tabbie" Williams (baixo), Ryan Briggs ...

'Born Again', o pacto sombrio do Hard Rock

     O remake de ' Nosferatu ' está em cartaz nos cinemas, fazendo os góticos e metaleiros irem a loucura. Essa obsessão dos rockeiros pelo obscuro e pelo mau criam a subcultura e ajudam a manter o legado do ocultismo, o qual acaba se tornando um esteriótipo para os ouvintes do gênero. A parte mais interessante é que o diabólico não se prende apenas às músicas extremas, porque graças ao Black Sabbath em colaboração com Ian Gillan , é capaz de sentirmos na medida certa como o sombrio seria em contato com o hard rock . Capa do álbum 'Born Again'     O Born Again , disco que marca a decadência da banda tanto nos charts quanto no público, é resultado de todos os problemas que Tony Iommi. Sem Ronnie James Dio e Vinny Appice e com convites de vocalistas sendo recusados, é como se a junção da formação clássica com um dos maiores vocalistas de todos os tempos estivesse premeditada a acontecer em algum momento, principalmente por conta da amizade - e bebedei...